O ano de 2009 acabou de começar e acho muito engraçado este clima de ano novo. Todo mundo parece ganhar um pouco mais de esperança, como se o ano que está chegando fosse a chance de fazer tudo melhor. Roupas brancas, calcinhas coloridas, oferendas, ondas, tâmaras, abraços, fogos, preces, tudo para atrair coisas boas para o próximo ano.
Sempre fui muito cética e não acredito em nada disso. Ás vezes faço uma ou outra dessas coisas, mas mais pela diversão do que por realmente acreditar que vai surtir algum efeito. Para mim é quase como ler horóscopo. Não acredito em nada do que está escrito, mas quando está na minha frente sempre leio, mesmo que para esquecer as previsões cinco minutos depois. Esse ano, passei de branco, pois de uma hora para a outra cai de amores por essa cor (até deixei um pouco de lado o tão amado vermelho) e tinha algumas roupas novas para estrear.
Para dizer a verdade, acho tudo isso muito engraçado. Me diverte ver como as pessoas acreditam que a calcinha rosa vai trazer o príncipe encantado ou que a vermelha vai nos encher de paixão e sexo. Conheço pessoas que há anos passam sempre com a mesma cor de calcinha e seus problemas continuam ali, do mesmo tamanho, não ficaram ricas, apaixonadas ou em paz.
Acho que no fundo é muito aquela coisa de “vai que existe” ou “vai que acontece”. Afinal, não custa nada colocar aquela roupinha branca, pular aquela onda ou fazer aquela oraçãoMe diverte também pensar em como as coisas no Brasil são misturadas. Muitas pessoas não veem (agora sem acento!) a mínima contradição em fazer tudo isso ao mesmo tempo. Afinal, para que escolher agradar um só deus, se nem sabemos qual deles existe, vai que eu rezo e a Iemanjá se vinga ou vice-versa. Ou seja, não custa nada passar de branco, vai que funciona, não é?
Acho que o mais interessante disso tudo é ver como que as pessoas querem sempre mudar de vida, mas sem ter que fazer nada para isso. Por exemplo, o amor. O amor não é uma coisa fácil, nunca foi e nem nunca será. Não acredito em principe encantado, amor à primeira vista ou amor eterno. Acredido mais em amar uma pessoa, em querer estar ao lado dela e em se sacrificar em alguns momentos para que isso seja possível e prazeroso. Não acho que amor é ficar ali esperando que os astros se unam para me fazer feliz ou que Deus conclua que é um amor digno. Acho que é muito mais uma questão de respeito, de carinho, de cuidado e que para ser feliz no amor (ou para ter dinheiro ou para ter paz) precisamos de batalhar por isso.
Claro que algumas pessoas não precisam batalhar tanto assim. Quando se fala em dinheiro, por exemplo, várias pessoas já nascem ricas ou com muitos caminhos abertos. Outras nascem tão miseráveis e sem recursos que podem trabalhar durante milhões de horas e nunca se tornarão ricas. Como diz uma amiga “quem trabalha demais não tem tempo para ganhar dinheiro”, o que é muito verdade quando pensamos na situação de milhões de pessoas que ralam o dia inteiro para sobreviver, enquanto outras vivem do trabalho alheio. Contudo, não refiro a esses extremos, mas sim a todos os demais que estão ali na média (na classe média, na sorte média). Àqueles que têm nas mãos alguns instrumentos, mas não todos para buscar aquilo que sonham. É para nós que eu acho que um pouco mais de batalha pode ajudar a conquistar os sonhos. Um pouco mais de esforço pode nos levar a atingir, em alguns momentos, até o inesperado, o sublime, o maravilhoso.
Outra coisa que acho interessante quando pensamos nesse assunto são as resoluções de ano novo. Todos pensam nas coisas que querem e em como vão batalhar para conquistá-las: parar de beber ou de fumar, malhar, estudar. Fazem planos e prometem para si mesmas o inatingível. A maioria das pessoas sabe da enorme distância entre querer parar de fumar ou falar que quer e realmente fazê-lo, por exemplo. E é assim com todas as coisas. Quero ser magra, mas não quero ter que parar de me deliciar com um bom prato ou perder aqueles momentos magníficos de preguiça.Contudo, mesmo sabendo que não vamos cumprir a maioria de nossas resoluções, é sempre confortante tê-las, pensar que sabemos minimamente o que temos que fazer para sermos um pouco mais felizes.
A minha sugestão (da qual fez parte a música que coloquei abaixo) é que possamos continuar sonhando e buscando os nossos sonhos, mas que devemos talvez sonhar um pouco menos e tentar realizar mais. Se quisermos ser as mais magras, bonitas, inteligentes, ricas, bem vestidas, simpáticas, divertidas, vamos acabar nos frustrando em todas as alternativas. Afinal, nada menos legal do que alguém que só se preocupa em ser magra ou em alguém que só sonha em ser bem vestida. Nada menos inteligente do que ficar querendo parecer ser inteligente e assim por diante. Então, nesse ano, vou tentar escolher um ou dois objetivos e tentar batalhar por eles, se realizar pelo menos um já estarei um pouco mais perto daquilo que sonho.